sábado, 7 de novembro de 2009

Apagaste a luz?

Hoje vi-te mais uma vez. Estavas sentada na cama onde costumávamos fazer amor. Tinhas aquele vestido que te ofereci pelo nosso aniversário. Um vestido lindo, justo ao teu corpo, como só o teu corpo se sabe ajustar. Um vestido de alsas finas, leves, como me costumavas fazer sentir. Estavas serena a fumar o teu cigarro. Perguntei-me, a mim mesmo, se eras tu. Serás mesmo tu?!
Não te reconheço, senão o rosto tingindo da tua doçura. Da tua doçura que escarpava nos meus dedos. Da tua doçura que se construía por entre as minhas carícias. Da tua doçura que se arrepiada com os meus lábios. Faltava-te algo naquele tempo?Olhavas-me. Olhavas-me. Sentia bem fundo esse teu olhar. Não era rude. Não era lascivo. Mas interrogava-me. Perguntava-me a mim próprio porque o fazias. Porque não deixavas de lado esse medo, que no fundo hoje veio-se a confirmar. Seria eu apenas mais um vestido bonito?
E continuavas a fumar sem dar pela minha presença. Fumaste dois, talvez três cigarros quase seguidos. Acendeste uns atrás dos outros, como que uma doença. Ás vezes deixavas descair a alsa do teu vestido. Procuravas algo?Procuravas-me?Olhavas ao espelho. Olhavas ao espelho com um olhar vazio. Tenho medo desse teu olhar e não percebo. Como te deixaste envolver por esse lado obscuro. É um homem mais velho? É um homem doente?
Não sei, mas sei que o quarto está escuro. Apagaste a luz?