sexta-feira, 23 de abril de 2010

"Cortar a ligação com o passado - disse ele vagarosamente, como se falasse consigo mesmo -, conseguir apagá-lo, e o mais vil de todos os cortes com a lei do cosmos. e ingratidão, e uma fuga as nossas dúvidas. E um suicídio: com esse corte, a pessoa está a aniquilar-se a si mesma. [...] Eu não cortarei, no momento em que atingi o que, na verdade sou, as minhas raízes, transformando-me numa sombra, transitando para o nada."

Karen Blixen

quinta-feira, 22 de abril de 2010

"ámame cuando menos lo merezca, porque es cuando más lo necesito"

anónimo

terça-feira, 20 de abril de 2010

Ninguém sabe...

"um dia faço-te um striptease" - dizia o pacote de açucar.

E tu, que me dizes?







PS: Ninguém sabe mas eu sei o que me dizes :)
Escrevo uma lista de cores que não existem,
Como quadros dourados em museus velhos,
Em museus inexistentes,
Feitos de pó do futuro que ali ficou.
Encerrado em palavras inúteis.
Palavras que não falam decor,
E que precisam duma boca,
Dum corpo e de um desejo
Entregue à verdade
Que existe tanto num abraço
Como numa despedida.
E imagino as palavras,
As cores, os quadros
a fugirem-me
E a deixarem-me sozinho.
Sem saber o que mais poderei amar.

E tudo não passará duma história de encantar,
Que se conta a uma criança ainda pequena,
Uma história sobre a qual adormeci,
E na qual fiquei encerrado num Museu velho,
Como uma estátua velha de cera,
Que se vai derretendo com o passar dos anos.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

E hoje sinto-me assim....



All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you
I climbed across the mountain tops
Swam all across the ocean blue
I crossed all the lines and I broke all the rules
But baby I broke them all for you
Because even when I was flat broke
You made me feel like a million bucks
You do
I was made for you
You see the smile that's on my mouth
It's hiding the words that don't come out
And all of my friends who think that I'm blessed
They don't know my head is a mess
No, they don't know who I really am
And they don't know what
I've been through like you do
And I was made for you...
All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you

Brandi Carlile - The Story

Será mesmo verdade?

sábado, 17 de abril de 2010

Todos os dias dispo-me para ele...

Fui um pouco ingénuo a acreditar em ti. Na altura tinhas 19 anos, conheceste-me banalmente. Não sei o que viste em mim mas ficaste loucamente apaixonada por mim. Fui o teu primeiro Amor. Não sei porque deixei-me levar por ti. Gostava do teu sorriso, da tua simplicidade sem perderes a graça. Eras uma míuda elegante e deixaste-me contangiar. No entanto chegou o dia em que esse amor foi-se, na mesma forma que veio. Afogou-se no mar gigante hormonal que em ti e exalava. Fui ingénuo e deixei-me arrastar.

Hoje passaram-se 25 anos da última vez que te vi. Estavas em frente ao espelho, vestias a minha cinta preferida com a mesma delicadeza com que a despias. Na manhã seguinte partiste e deixaste o cigarro aceso no cinzeiro. Nunca mais voltaste. Hoje até já deves estar casada, ter filhos da nossa idade. Se calhar até tens um amante. Mas nunca mais voltaste. Fiquei com o teu cigarro guardado, e ainda o olho na esperança que ele faça amor comigo. Ainda o guardo. E todos os dias dispo-me para ele.

sábado, 10 de abril de 2010

"y aunque fui yo quien decidió que ya no más y no me canse de jurarte que no habrá segunda parte, me cuesta tanto olvidarte"

Anónimo

...Tenho mesmo!

Como de costume sai de cas bem cedo. Deparava-me com o frio matinal e os olhos ainda meio fechados. A noite, mais uma vez, tinha sido de insónias. Dormi mal. Sentia-me mal de manhã. Mas, como sempre e resignadamente, tinha que ir trabalhar. Dirigi-me ao metro. Não sei porque, est manhã atrasou-se. Diziam que tinha sido uma falha eléctrica. Estava umas largas de minutos atrasados. Enquanto esperava, observando o vazio profundo que diante de mim se deparava, sinto um formigueiro. Começo a sentir uma dorzinha de barriga que nunca me aconteceu. Nervoso, começo a olhar em redor. Procuro. Procuro. Procuro.

Vejo uns cabelos a esvoaçar em câmara lenta. Eras tu. O tempo parou. Fui a correr atrás de ti. Agarrei pelo braço, e tu com um viraste-te com um ar de espanto. Com um ar de quem foi descoberta e não queria ser. Mas eras alguma criminosa?!Na altura não pensei, mas agora em que me distâncio emocionalmente penso-o, e sei que sim. Ainda sem ser muito racional, perguntei-te se querias ir ao café. Disseste-me que sim que poderia ser. No café falamos, não demos pelo tempo passar. Voo como um bando de passaros voam em plena primavera a procura de alimento. Daqueles que procuram carne e se forem os últimos a chegar não comem. Quando o meu nervoso começa a passar, assim como a dor de barriga, e começo finalmente a disfrutar da conversa, tu dizes-me que tens que ir embora. Pergunto-te
- Tens mesmo que ir embora?
E tu com o teu ar delicado, abanas-me com a cabeça a dizer que sim.
-....Tenho mesmo.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Tens mesmo de ir embora?

Harold Pinter to Antonia Fraser

segunda-feira, 5 de abril de 2010

É assim tão dificil?












Sigo em frente e desvio, por momentos, o olhar.
Sei que não o posso mas faço-o, por mim e por ti.
Agora podemos voltar a encontrarmo-nos, porque seguimos em uníssono.
Vamos marchar os dois juntos, num só corpo?
Escolhes tu o corpo?
Eu escolho a direcção...
Ou preferes caminhar junto às estrelas?

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Havia pedaços de luz no meu corpo, feitos de mil neóns pequenos e cintilantes.
Pensei que fossem cancros de pele ganhos numa noite de amor na praia à luz da lua,
Mas afinal era só um Natal que ficou colado do teu corpo húmido,
E Que vitrificou a areia como uma marca única.
Na manhã seguinte os pescadores viram o teu vitral e notaram que fomos felizes,
Havia restos de tinta que sobraram da nossa paixão.
Eu bem te avisei que nos iria denunciar,
Mas tu, e com razão, disseste que nos descobrissem!!!
Que nos podiam enterrar na lua e enviar-nos para o fundo dela,
Jamais nos separariam,
Porque a areia ficou vitrificada com a nossa Marca.

Façam o Favor de Ser Felizes

Raúl Solnado

Troquei-te por um cobertor.

Habituei-me a ver a cozinha vazia. A loiça suja, por lavar num monte. Pratos e talheres e copos num caos empilhados debilmente. Talheres limpo começam a ser bens raros. Um espaço decente está em vias de extinção. Restos de comida ao monte, já retardados, que juntos esperam uma ordem de saída. Ninguem lhe passa a guia de marcha.

Habituei-me a entrar na casa de banho vazia. Ver a roupa em fila, desordenadamente, como comboios que viajam caóticamente uns por entre os outros. Roupa interior que começam a envelhecer rapidamente graças ao uso repetido sem traço de detergente. Roupa que espera uma empilhadora directa ao cesto.

Habituei-me a deitar-me na cama vazia. Em ver a tua mesinha de cabeceira sem luz. Sem os comprimidos. Sem a caixa dos preservativos. Sem o teu livro. A sentir o teu lado da cama frio, e tentar esticar-me em toda a sua largura. Pus mais um cobertor para aquecer-me.

Troquei-te por um cobertor.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Porque puseste baton hoje de manhã?

Ao fim do dia guardei o cigarro num fraco. Peguei com todo o cuidado e pu-lo dentro do frasco. Era um frasco especial. Aquele que guardava o piri-piri que tu tanto gostas. Retirei-o da prateleira, e limpei-o. Qualquer pedaço de pó foi retirado. Nada havia no seu interior. Até as particulas de ar enxotei. Nada podia la ficar. Nada podia detiorar o teu cigarro. Com cuidado, pu-lo la dentro. Com todo o cuidado.

Fiquei horas a observa-lo. Pu-lo na cabedeira do lado que dormias, e hoje adormeci no teu lado da cama. Mas posso-te dizer, que fiz apenas para reparar no cigarro. É a minha única lembrança de ti. A única coisas palpavél que tenho de ti. Não faz mal. Até faz, mas por enquanto agrada-me pensar que voltarás para o acabar de fumar. Antes de adormecer, reparei de tinha as marcas do teu baton. Tu nunca usas Baton.

Porque puseste baton hoje de manhã?