Habituei-me a ver a cozinha vazia. A loiça suja, por lavar num monte. Pratos e talheres e copos num caos empilhados debilmente. Talheres limpo começam a ser bens raros. Um espaço decente está em vias de extinção. Restos de comida ao monte, já retardados, que juntos esperam uma ordem de saída. Ninguem lhe passa a guia de marcha.
Habituei-me a entrar na casa de banho vazia. Ver a roupa em fila, desordenadamente, como comboios que viajam caóticamente uns por entre os outros. Roupa interior que começam a envelhecer rapidamente graças ao uso repetido sem traço de detergente. Roupa que espera uma empilhadora directa ao cesto.
Habituei-me a deitar-me na cama vazia. Em ver a tua mesinha de cabeceira sem luz. Sem os comprimidos. Sem a caixa dos preservativos. Sem o teu livro. A sentir o teu lado da cama frio, e tentar esticar-me em toda a sua largura. Pus mais um cobertor para aquecer-me.
Troquei-te por um cobertor.