sábado, 17 de abril de 2010

Todos os dias dispo-me para ele...

Fui um pouco ingénuo a acreditar em ti. Na altura tinhas 19 anos, conheceste-me banalmente. Não sei o que viste em mim mas ficaste loucamente apaixonada por mim. Fui o teu primeiro Amor. Não sei porque deixei-me levar por ti. Gostava do teu sorriso, da tua simplicidade sem perderes a graça. Eras uma míuda elegante e deixaste-me contangiar. No entanto chegou o dia em que esse amor foi-se, na mesma forma que veio. Afogou-se no mar gigante hormonal que em ti e exalava. Fui ingénuo e deixei-me arrastar.

Hoje passaram-se 25 anos da última vez que te vi. Estavas em frente ao espelho, vestias a minha cinta preferida com a mesma delicadeza com que a despias. Na manhã seguinte partiste e deixaste o cigarro aceso no cinzeiro. Nunca mais voltaste. Hoje até já deves estar casada, ter filhos da nossa idade. Se calhar até tens um amante. Mas nunca mais voltaste. Fiquei com o teu cigarro guardado, e ainda o olho na esperança que ele faça amor comigo. Ainda o guardo. E todos os dias dispo-me para ele.