sábado, 10 de abril de 2010

...Tenho mesmo!

Como de costume sai de cas bem cedo. Deparava-me com o frio matinal e os olhos ainda meio fechados. A noite, mais uma vez, tinha sido de insónias. Dormi mal. Sentia-me mal de manhã. Mas, como sempre e resignadamente, tinha que ir trabalhar. Dirigi-me ao metro. Não sei porque, est manhã atrasou-se. Diziam que tinha sido uma falha eléctrica. Estava umas largas de minutos atrasados. Enquanto esperava, observando o vazio profundo que diante de mim se deparava, sinto um formigueiro. Começo a sentir uma dorzinha de barriga que nunca me aconteceu. Nervoso, começo a olhar em redor. Procuro. Procuro. Procuro.

Vejo uns cabelos a esvoaçar em câmara lenta. Eras tu. O tempo parou. Fui a correr atrás de ti. Agarrei pelo braço, e tu com um viraste-te com um ar de espanto. Com um ar de quem foi descoberta e não queria ser. Mas eras alguma criminosa?!Na altura não pensei, mas agora em que me distâncio emocionalmente penso-o, e sei que sim. Ainda sem ser muito racional, perguntei-te se querias ir ao café. Disseste-me que sim que poderia ser. No café falamos, não demos pelo tempo passar. Voo como um bando de passaros voam em plena primavera a procura de alimento. Daqueles que procuram carne e se forem os últimos a chegar não comem. Quando o meu nervoso começa a passar, assim como a dor de barriga, e começo finalmente a disfrutar da conversa, tu dizes-me que tens que ir embora. Pergunto-te
- Tens mesmo que ir embora?
E tu com o teu ar delicado, abanas-me com a cabeça a dizer que sim.
-....Tenho mesmo.