sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Porque enganaste a ti própria também?

Hoje acordei de manhã. Senti a cama fria. Senti a cama vazia. Já nada era como antes, em que acordava no calor do aconchego. A cama parecia pequena para dois, e eu gostava dela assim. Sentia a alma grande, como se o calor torna-se a minha alma mais fluída e a dilata-se. Sentia-me enorme. Sentia que nada me podia deter. Não estava mais errado. Disseste-me que ficaríamos melhor. Disseste-me que nos tornaríamos melhor. Concordei. Realmente o que não nos mata torna-nos mais forte.

Passaram-se dias, passaram-se semanas, penso até que se passaram meses. Perdi a noção do tempo. Dava por mim a vaguear nos segundos, nos minutos, nas horas. Para mim segundos eram dias, e dias eram minutos, e minutos eram anos. Não conseguía distingui-los. Fiquei atónito durante dias, talvez semanas ou até mesmo meses. Tudo passava menos eu.

Um dia, ou num minuto, não sei. Saí da cama. Saí e liguei-te. Ouvi a tua voz. Diria que tinhas saído do banho. Estava húmida. Falaste naquele tom que sempre reconheci em ti, aquele tom doce, que dava vontade de barrar pelo corpo. Aquele tom suave, que dava vontade de nadar, de me afogar. Perguntei-te como estavas. Disseste que ficaríamos bem, os dois. Mas senti que me enganavas. Eu sei que não estavas. Porque enganaste a ti própria também?