quinta-feira, 4 de março de 2010

Coisa Pequena



Quem és tu a quem quero dar?
Qual o verdadeiro tamanho do mundo
que carregamos dentro de nós?
Tenho cheiros mil na pele,
uns que passaram e ficaram à superfície,
outros entraram na epiderme.
Sensações que se prenderam aos músculos.
Que se agarraram aos tendões,
E à periferia das veias
Espumando-me o Sangue.
Memorias que marcaram os ossos,
Lascaram membros, e enfraqueceram-nos.
Memórias de Cálcio que se depositam,
E por vezes regeneram-me.
Como tu, que um dia irás chegar,
e uma coisa pequena te irei dar,
Plantando em ti meu corpo nu,
ora feito de pele, músculos e carne,
ora feito de cheiros, sensações e memorias.
Porque tu hás-de perpetuar-me.
Porque tu hás-de continuar-me.
Porque tu hás-de um dia ler estas palavras,
E querer partilhar.