A manhã punha-se lá fora. Ouvia o chilrear dos passáros e os raios de luz teimavam em entrar pela janela. Na cama, encolhia-me. Tentava manter-me impenetrável ao mundo exterior. Tudo aquilo que queria estava ali, naquele momento, naquele sitio. Naquele espaço que só a mim me pertencia. Recomendava-se. Estava cheio de saúde, de vitalidade. Uma vitalidade ingenuamente eterna.
No entanto, tu levantaste-te. Abriste a persiana e a janela. O agradável cheiro do frio matinal foi substituido pelo odor do dia, já a milhas no relógio. E eu fiquei a olhar-te. A ver-te a vestir. Cada peça de roupa, umas sobre outras, como novas peles. Como novas identidades. Disseste-me adeus e deixaste-me uma beata de cigarro meia fumada. Disseste-me que continuavas quando voltasses.
Porque nunca voltaste?